Internacional

Papa repudia rearmamento no mundo em pronunciamento nesta sexta-feira

Trata-se da primeira visita de um pontífice ao país do Golfo Pérsico

4 NOV 2022 • POR Evelyn Thamaris, com Informações Agência Brasil • 12h48
Papa Francisco - Divulgação / Vaticano

Em pronunciamento nesta sexta-feira (4) no Barein, encerramento de um fórum sobre o diálogo Leste-Oeste, promovido pelo rei do país do Golfo, o Papa Francisco condenou o rearmamento no mundo e ainda pediu ajuda a líderes religiosos para trazer o mundo de volta da “beira de um precipício delicado”.

Segundo o pontífice, as ações voltadas para o armamento da população têm contribuído para redesenhando as esferas de influência da era da Guerra Fria.

A visita segue a política do papa de melhorar os laços com o mundo islâmico após uma visita histórica a Abu Dhabi em 2019 – a primeira de um pontífice à Península Arábica. Ele já visitou cerca de dez países predominantemente muçulmanos, desde sua eleição em 2013.

Francisco, que sofre de um problema no joelho que o obriga a se locomover em cadeira de rodas e com auxílio de bengala, teceu seu discurso em torno do papel das religiões na promoção da paz, desarmamento e justiça social.

"Depois de duas terríveis guerras mundiais, uma guerra fria que por décadas manteve o mundo em suspense, conflitos catastróficos ocorrendo em todas as partes do globo e em meio a acusações, ameaças e condenações, continuamos à beira de um precipício delicado e não queremos cair", disse ele em um reluzente pátio de mármore do palácio real.

Aparentemente referindo-se à Ucrânia, Francisco condenou uma situação em que "alguns potentados são apanhados em uma luta resoluta por interesses partidários, revivendo a retórica obsoleta, redesenhando esferas de influência e blocos opostos".

Francisco, que apoia a proibição total de armas nucleares e muitas vezes condenou o comércio global de armas, disse que os líderes religiosos não podem apoiar guerras, em aparente referência ao patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Kirill, que apoiou entusiasticamente a invasão da Ucrânia pela Rússia e que o papa já havia criticado implicitamente antes.