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Defesa de Braga Netto diz que Mauro Cid mentiu na delação premiada

Advogado diz que citação do nome do general não foi honesta e só ocorreu após o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro ser pressionado

25 março 2025 - 17h52Pedro Molina
Kampai

A defesa do general Walter Braga Netto, investigado no inquérito do golpe no, acusou o tenente-coronel Mauro Cid de mentir na delação premiada firmada com a Polícia Federal (PF), apontando ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro apresentou na delação um vídeo “sem relação” com as manifestações em frente aos quarteis.

Segundo o advogado José Luiz Mendes de Oliveira Lima, o vídeo não tem relação com os manifestantes acampados em frente aos quarteis após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

“Braga Netto não teve qualquer participação ou relação com os fatos de 8 de janeiro [de 2023]. O colaborador Cid, que mente e mente muito, apresentou um vídeo naquela oportunidade para tentar vincular o general Braga Netto aos manifestantes nos quartéis. Esse vídeo era de outra coisa. Era de um encontro no Palácio da Alvorada com seis pessoas. Não tinha nenhuma relação com as manifestações nos quartéis. Isso ficou evidente. Depois, até a própria denúncia fez esse reparo”, explicou.

Na sustentação oral no plenário do Supremo, o advogado pediu a anulação da delação de Cid e apresentou quatro razões que supostamente justificam o acordo de Cid com a PF não poder “ficar de pé”.

“A colaboração premiada do coronel Mauro Cid não pode permanecer válida. Essa delação não diz a verdade. Ela tem que ser anulada por quatro motivos. O primeiro é que foi um acordo celebrado entre a polícia e o colaborador sem anuência do Ministério Público. A PGR [Procuradoria Geral da República] foi contrária à celebração desse acordo, mas o eminente relator [ministro Alexandre de Moraes] entendeu que era caso de homologar este acordo”, apontou.

“O segundo motivo é a falta de voluntariedade. Neste caso, não houve voluntariedade. E quem disse isso? O próprio delator. Ele afirmou que foi coagido pela Polícia Federal. Isso está nos autos”, afirmou, se referindo a conversar vazadas de Cid.

Ainda segundo Lima, Braga Netto não chegou a ser citado, mesmo tendo sido apontado como suposto financiados do plano golpista. “O terceiro motivo: ele é mentiroso. Perdão pela expressão, mas é a realidade. Ele prestou nove depoimentos e não mencionou absolutamente nada sobre o general Braga Netto. Quando estava com o risco de perder o seu acordo, aí sim ele falou de um detalhe: o financiamento do plano. Quer dizer que ele prestou nove depoimentos e esqueceu de falar um detalhe que me parece fundamental, que é a entrega do dinheiro. E ele esqueceu de falar? Por que esqueceu? Porque ele é mentiroso. Ele mente”, disse o advogado.

 Ele também questionou a participação do ministro Alexandre de Moraes na audiência com Mauro Cid, onde ocorreu a firmação do acordo. “A defesa entende que cabe ao Poder Judiciário, nessa questão, apenas analisar a regularidade e a voluntariedade. Entende a defesa que não é o caso de o Poder Judiciário se manifestar de forma mais efetiva”, avaliou.

 

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